30.3.07

Cobertura e obediência: uma não caminha sem a outra


Toda cobertura traz segurança. O filho criado sem pai e sem mãe se sente desprotegido e se torna inseguro. Um dia Jesus sentiu a ausência do Pai e disse: "Pai, por que me desamparaste?" (Mt 27:46). Uma cobertura é a figura do pai protegendo um filho. Por isso, ela precisa ser obedecida em qualquer nível, a fim de que não existam momentos desagradáveis para quem a está recebendo.
A cobertura traz segurança, proteção, e os que optam por ela querem zelo, um cuidado mais específico. A cobertura aparece pela primeira vez na Bíblia como sukar ou sucote, em Gênesis 33:17, quando Jacó coloca seus filhos dentro da tenda, dentro do lugar de proteção, da doutrina:
"Jacó, porém, partiu para Sucote, e edificou para si uma casa."
Quando entramos na sukar estamos na doutrina, na cobertura e na proteção. A cobertura só não é completa quando há resistência. Quando se faz resistência também não se tem a prosperidade que se espera. Porém, a Igreja de Jesus resgatará a submissão para que possa prosperar.
Algumas vezes, no mundo espiritual, damos marradas por causa da desobediência. Essas marradas acontecem, porque é mais difícil ser discípulo do que discipulador. O discipulador é o que vai formar, mas o discípulo é aquele que se submete. E, em meio ao século insubmisso em que vivemos, submissão é milagre, sinal de cura. Por isso, uma das atribuições de alguém que dá cobertura a discípulos é exatamente essa, a de ensinar a obediência.
Quando corrigimos alguém, muitas vezes somos mal interpretados, porque as pessoas não gostam de ser corrigidas. Alguns discípulos preferem criar animosidade a obedecer ao líder, e acabam ficando ressentidos. Escolhem seu próprio caminho, fazendo o que bem lhes parece, sem consultar o líder, o que é extremamente grave, porque tudo o que é feito sem consulta traz conseqüências drásticas.
Além de oração e jejum, no trabalho de cobertura e discipulado há passos importantes a serem observados, a fim de que conquistemos a amizade, confiança, o respeito e a obediência de nossos discípulos, pois tudo isso não se consegue exigindo, nem se impondo, nem obrigando. Ninguém quer sobre si uma cobertura opressora. Quem dá esse tipo de cobertura é o diabo.
Precisamos gerar relacionamento. Para exercermos nossa cobertura sobre nossos discípulos, precisamos criar relacionamento com eles, estar em contato, saber como estão. Jesus nos deu ferramentas que facilitam esse relacionamento, tais como telefone convencional, celular e internet. Deus é contemporâneo, não fica atrasado. Ele nos deu meios modernos que nos permitem uma aproximação com os discípulos nos assegurando uma consolidação mais eficaz. Precisamos aprender a usar as ferramentas modernas para darmos cobertura, pois muitos de nós não podemos estar o tempo todo com os discípulos.
Nossos discípulos precisam estar em nossos corações. Quando temos afeição por alguém, nos dedicamos a essa pessoa. Numa igreja em células não se contam membros, mas discípulos, que não são "soltos", porque têm uma cobertura sobre eles. Membros são arrolados em uma ficha, os discípulos são arrolados no coração, que, evidentemente, vale mais que um papel.
Devemos ter cuidado com o que estamos ministrando. É importante fazer o discípulo sair da fase de leite espiritual (Hb 5:13), fazer um "desmame" e passar a dar alimento sólido (Hb 5:12-14). Ou seja, o discípulo deve deixar de ser inexperiente na Palavra e consolidar a salvação (I Pe 2:2). No nosso ministério, quando saímos do desmame, avançamos na consolidação e, onde não havia nada, já percebemos uma construção formada.
Porém, ao darmos "comida sólida" para nossos discípulos, ao começarmos a ensinar mais profundamente a Palavra, é necessário cuidar para que não estejamos dando comida estragada. Tudo que comemos hoje será o nosso sangue amanhã. Cuidado com o que você come. Alimentação inadequada pode causar doenças e até morte. Esses alimentos podem vir na forma de ministrações erradas sobre a Visão, murmurações, rebeldias, ministrações que parecem mais um desabafo por alguma situação de animosidade com os líderes, devido a desobediência.
Devemos alertar sobre a desobediência. Hoje sabemos o que devemos fazer e às vezes temos dificuldade em obedecer. Algumas pessoas entram em depressão por causa da desobediência. Acham-se mais espirituais que o líder, mais conhecedores da Bíblia - e às vezes até são, mas não têm humildade - argumentam mais e, por se acharem "mais tudo", saem da cobertura, da proteção, e se tornam presas fáceis do inimigo, que acaba sendo a nova "cobertura" dessa pessoa, uma cobertura opressora. E, todo oprimido tem atrás de si um argumento do diabo, um histórico de pecado.
Quando você vir um discípulo falando mal de você, querendo questionar a idoneidade da Igreja, do pastor, com certeza está flechado com argumentos na própria vida. Quem não estiver bem espiritualmente precisa correr para o seu discipulador. Apesar de ele não ser perfeito, com certeza irá ajudar. Não resolva trocar de discipulador, permita-se discipular ainda que seja duro. Quando trocamos de discipulador simplesmente transferimos o problema, mas não o resolvemos.
No discipulado não podemos ficar presos apenas aos confrontos. Há pessoas que só lembram dos defeitos das pessoas, e estão o tempo todo confrontando, até a elas mesmas! Não lembram as coisas boas, não perdoam os outros e nem a si mesmas. Quanta coisa guardamos dentro de nós, que nem precisamos guardar. Quando nos submetemos à cobertura, os lixos da alma são tirados mais rápidos; agora, quando procuramos apenas um faxineiro e não um discipulador, vai demorar muito mais, porque na cobertura todos trabalham em favor da alma. Há pessoas que são históricas só para coisas ruins, mas precisamos decidir acumular só coisas boas, assumindo que somos nascidos de novo e adotando uma nova postura. Por isso, não deixe sua alma com mágoa do seu líder; só quem perde é você. Lembre-se que ser um bom discipulador é tarefa para quem é bom discípulo.


Apóstolos Renê e Ana Marita Terra Nova

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